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Comunhão e Evangelização
Igrejas em comunhão na
divulgação do Evangelho.

 


Pb. VÂNIO LIMIRO
Igreja Sede

 

Feito isto, apanharam uma grande quantidade de peixes, de modo que as redes se rompiam. Acenaram então aos companheiros que estavam no outro barco, para virem ajudá-los. Eles, pois, vieram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quase iam a pique. Lucas 5.6-10

 

INTRODUÇÃO

Há uma íntima afinidade entre comunhão e evangelização. A Igreja está inserida no contexto do mundo, justamente, para proclamar o Evangelho da graça de Deus aos homens. Não fosse a proclamação de que foi incumbida, a Igreja já poderia ter deixado a vivência terrena para ir gozar as mansões celestiais.

Podemos afirmar, num sentido bem amplo, que a Igreja não tem razão de ser apenas, para si mesma. Ao contrário, ela deve direcionar o seu olhar para os outros, porque toda a humanidade deve estar na Igreja. Neste ponto, Charles Van Engen indaga: “se a Igreja é para todos, por que nem todos estão na Igreja?” A resposta deverá ser buscada no atendimento ao desafio evangelizador que cabe à Igreja.

Sua missão é proclamar o Evangelho da graça de Deus a todos os homens. Boa parte da humanidade não se encontra na Igreja porque ela tem falhado em seu papel evangelizador. Precisamos entender que o “fazer” evangelização da Igreja sem unidade é escândalo, isto porque no Reino de Deus não existe espaço para o “fazer” individualista. A Evangelização está sempre evidenciando o aspecto da comunhão, porque não existe espaço para evangelização na igreja de forma individualista. A comunhão tem a ver com o Corpo de Cristo e com a comunidade do Povo de Deus.

I - A IMPORTÂNCIA DA COMUNHÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO

Comunhão e evangelização são temas profundamente conectados, na verdade são inseparáveis. A evangelização sem a comunhão pode ser descrita como uma sala de obstetrícia, onde os bebês recém-nascidos são abandonados à sua própria sorte. A comunhão precede a evangelização. Somente uma igreja que comunga com saúde evangeliza com eficácia. Os novos convertidos, frutos da evangelização, precisam ser integrados na igreja, onde encontrarão ambiente propício ao seu crescimento espiritual.

a) A comunhão é algo belo e agradável aos olhos de Deus. “Oh quão bom e agradável é viverem unidos os irmãos” (Sl 133.1). A união fraternal é algo belo aos olhos de Deus e aos olhos dos homens. A comunhão fortalece os relacionamentos e abre portas para novos contatos evangelísticos. A amizade é um poderoso instrumento evangelístico. Um indivíduo normalmente só permanece numa igreja onde constrói relacionamentos significativos de amizade. Somos cooperadores de Deus na obra da evangelização. Somos ministros da reconciliação. Sem comunhão, a evangelização perde sua eficácia. Jesus afirma que os novos convertidos precisam ser integrados na igreja e essa integração passa pela comunhão (Mt 28.18-20).

b) A comunhão é algo profundamente terapêutico. O salmista comparou a comunhão fraternal ao óleo (Sl 133.2) e ao orvalho (Sl 133.3). O óleo tem um simbolismo muito rico tanto no Antigo como no Novo Testamento e era usado como cosmético, como remédio, e como um símbolo espiritual. A comunhão fraternal traz beleza aos relacionamentos. A comunhão fraternal produz alívio na dor. A comunhão fraternal é instrumento de cura emocional e espiritual. O orvalho é outra figura importante usada pelo salmista. O orvalho tem várias características interessantes: Em primeiro lugar, ele cai todas as noites. Sua ação é contínua. Assim deve ser a união fraternal. Em segundo lugar, o orvalho cai silenciosamente. Diferente da chuva, ele não é precedido pelos relâmpagos nem pelo estrondo dos trovões. Ele cai sem alarde. Assim é a comunhão fraternal. Ela age de forma terapêutica sem fazer barulho. Em terceiro lugar, o orvalho cai durante a noite, ou seja, nas horas mais escuras da vida. É quando atravessamos os vales escuros da dor que a ação benfazeja da amizade desce sobre nossa vida como o orvalho restaurador. Em quarto lugar, o orvalho sempre traz renovo e refrigério depois de um dia de calor escaldante. E esta comunhão que os desesperados buscam quando encontram a Cristo e é esta mesma comunhão que eles precisam ver na Igreja.

c) A comunhão é a condição indispensável para uma evangelização eficaz. Ali o Senhor ordena a sua bênção e a vida para sempre” (Sl 133.3). Não há evangelização poderosa sem a bênção de Deus. Evangelização eficaz é uma operação soberana do Espírito Santo abrindo o coração do homem, dando-lhe o arrependimento para a vida e a fé salvadora. Quando a igreja vive em comunhão, ali Deus ordena vida. A evangelização é o instrumento mediante o qual as pessoas que ouvem o evangelho nascem de novo e recebem vida em Cristo. Deus mesmo é quem ordena a vida onde a comunhão existe. Os resultados da evangelização não são alcançados pelo esforço humano. Não temos poder sequer de converter uma alma. Charles Spurgeon dizia que é mais fácil ensinar um leão ser vegetariano do que converter uma alma pelo esforço humano. Só Deus pode abrir o coração. Tudo provém de Deus! E é ele mesmo quem estabelece as condições para uma evangelização poderosa e eficaz.

II - A CAMINHADA CRISTÃ NA COMUNHÃO E NA EVANGELIZAÇÃO

Podemos refletir sobre a comunhão dos santos e observar que existem áreas da vida que refletem a comunhão. Observamos que, ao final, a evangelização é uma conseqüência clara dos santos em Cristo.

a) A comunhão motiva o crente a evangelizar. A comunhão dos crentes em Cristo é elemento motivador para a obra de Evangelização. Esta comunhão é derivada da identificação que ele o salvo têm com Deus; a relação devocional intima com o Senhor e o instrumento da manutenção desta comunhão. O crente em Cristo reflete o caráter santo de Deus em sua caminhada diária. Somos iluminados por sua santidade e, assim, iluminamos nosso irmão.

b) Ter comunhão é essencial para evangelizar.  Este é o âmago, a essência da comunhão. A verdadeira comunhão da Igreja se expressa na pureza de relacionamentos dos seus membros, o teológo Augustus Nicodemus expressou este fato nos seguintes termos: “A comunhão dos santos é mais que simples socialização. Ela brota dessa convicção que temos em comum e se expressa num relacionamento estreito, transparente e mutuo entre os crentes”.

II – A MISSÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA

Evangelizar não consiste simplesmente em incorporar pessoas a uma Igreja já pronta, mas, antes de tudo, em encarnar o Evangelho na vida de pessoas.

a) Uma tarefa a ser cumprida. Na tarefa de resposta ao desafio da evangelização, a missão da Igreja é propagar o reino de Deus, mostrando ao ser humano o caminho, seja através do evangelismo pessoal, ou mesmo no evangelismo pelo testemunho, mas, sobretudo, pensar no evangelismo como um estilo próprio de viver; viver como Cristo viveu. Isto implica em situar a missão evangelizadora no coração do homem, numa visão Cristocentrica.

b) Um desafio a ser enfrentado. Evangelizar é sempre um desafio, afinal isso significa povoar o céu e saquear o inferno. Um desafio implicará sempre no enfrentamento a um oponente, e, neste caso, embora não tenhamos que “lutar contra carne ou sangue”, devemos entender também que desafios tais como pobreza crescente, ética social-política-econômica, direitos humanos, democracia, violência, igualdade racial, emancipação da mulher, ecoteologia, tudo isso diz respeito ao Evangelho.

IV - O QUE A PESCA MILAGROSA NOS ENSINA

O crente que vive em plena comunhão entende que a perseverança e a obediência são condições fundamentais para a evangelização.

A pesca milagrosa que Jesus proporcionou a Pedro nos traz maravilhosos ensinamentos. Depois de uma noite frustrante para Pedro, Jesus chega e o manda lançar as redes de novo! Jesus não era pescador, Pedro sim! Mesmo contrariando o seu bom senso e sua experiência, Pedro obedeceu. E o resultado foi uma grande pesca, tão grande que os navios quase afundaram com o peso. Podemos daqui extrair maravilhosas lições.

a) Fé e dependência. O que Jesus diz é o melhor. Às vezes, Jesus pede que façamos coisas que aparentemente não têm nada a ver, e muitas vezes o que pensamos ser melhor nos impede de obedecer fielmente a Deus; mas se Pedro tivesse seguido a sua experiência, jamais teria apanhado tantos peixes. Precisamos depender de Jesus.  A prontidão de Pedro. (“afasta-te da praia”) é um exemplo. Devemos estar sempre prontos para atender a chamada do Mestre independente do tempo, local ou circunstancias. Devemos sempre dizer: Eis-me aqui Senhor!

b) Perseverança. Era preciso trabalhar um pouco mais. Jesus estava encorajando aqueles homens a não “lavarem as suas redes”, a não desistir diante da noite em que tiveram uma péssima pescaria. Eles podiam tentar novamente. A vida é feita de tentativas. Aqueles discípulos precisavam lançar novamente a rede, mas não na sua direção, agora sob a direção de Deus, debaixo da Palavra de Deus.

c) Reconhecimento. Quando o milagre aconteceu, Pedro caiu na real, prostrando-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, ausenta-te de mim, por que sou um homem pecador”. Nós devemos reconhecer nossa pouca força, nossa limitação; em outras palavras, nos humilharmos diante de Deus, por que sem ele nada podemos fazer.

d) Seguir a Jesus. “E disse Jesus a Simão: “não temas; de agora em diante, serás pescador de homens”. Seguir a Jesus significa comprometer-se com ele. Muitas pessoas têm buscado uma experiência religiosa agradável; porém quando se fala de uma vida de sacrifícios, as pessoas saem pela tangente. É interessante observar que Jesus precisou do barco de Pedro. O Mestre precisa do homem, e conta com seus bens para propagar seu reino na Terra.

CONCLUSÃO

A Igreja de Jesus Cristo tem o grande desafio de levar luz aos que estão nas trevas, mas para isso precisamos estar debaixo da comunhão fraternal e das estratégias de Deus. É Ele mesmo quem nos ensinará a trabalhar, ainda que pensemos que já sabemos tudo, Ele nos mostrará que existem caminhos que nós ainda não trilhamos, e são justamente esses caminhos que farão a diferença em muitos aspectos de nosso ministério, de nossa vida, de nosso chamado, e até mesmo dos nossos “planos missionários”. Deus enviou seus profetas a Israel, enviou seu Filho ao mundo, enviou os apóstolos a pregarem, enviou o Espírito Santo à Igreja, e, hoje, nos envia ao mundo. Aceite os desafios de Deus, e não lave as suas redes!

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