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INTRODUÇÃO
A comunhão é um termo apropriado na linguagem e prática do povo de Deus. A propósito, o Velho Testamento relata a formação de uma nação que seria o povo escolhido por Deus e a comunhão seria a base de sustentação e convivência desse novo Estado. Com clareza isto é vivenciado no Novo Testamento, através de Cristo e os seus discípulos. Jesus usava a mesa para atraí-los e ficar mais próximos DELE. Na mesa estavam a comunhão e as diretrizes para o desempenho da missão. Ninguém soube exercer liderança em plena comunhão com os seus liderados mais do que Jesus. Ele é o máximo desta leitura, o topo da inspiração, o êxito em Liderar.
I – Comunhão: Idéias em comum com o grupo.
No capítulo 10 do Evangelho de Mateus, Jesus chama doze homens simples da Galiléia para compor com Ele um projeto que iria permear toda história da humanidade após aquela data. Muitos pregadores dizem que “a vida do ouvinte não será a mesma a partir do momento da pregação” e as coisas continuam sem mudanças; mas Jesus mudou de fato a maneira de ver a Deus e de servi-lo. É impressionante como Jesus estendeu aos seus aprendizes o manto da comunhão e a composição de suas idéias no seu “grupo de trabalho”.
a) Doze homens sendo preparados para uma nobre missão. A facilidade com que Jesus teve em formar discípulos foi como Ele atraía os discípulos a si, podendo passar a cada um deles a sua visão e dotá-los de capacidade para cumprir a missão. Os discípulos encontraram em Cristo uma comunhão convincente, que os impulsionava a caminhar para frente, deixando as prioridades da vida passada e assumindo um novo comportamento em relação à vida presente e futura do reino messiânico.
b) Doze homens simples fazendo uma obra poderosa. A maioria dos discípulos eram simples pescadores no mar da Galiléia; que uma vez preparados foram chamados de apóstolos. “E Jesus chamando-os deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda enfermidade e todo mal”. Foi uma mudança radical na vida destes homens simples, que agora estariam na vitrine do apostolado. Como pescadores profissionais, eram agora treinados para pescar homens de toda classe social. Estavam saindo do anonimato, mas Jesus recomendou que continuassem simples, não deveriam viver em função da titularidade.
c) Doze apóstolos enviados por Jesus a cumprir uma missão inicial. Essa era a mensagem de Jesus: “Ide, ante, às ovelhas perdidas da casa de Israel. Indo diga: 1 - É chegado o reino dos céus; 2 – Curai os enfermos; 3 – Impai os leprosos; 4 – Ressuscitai os mortos; 5 – expulsai os demônios. De graça recebei de graça daí. Não faça o trabalho como se tivesse que receber, nem fiqueis preocupados como isso acontecerá. Eu é que tenho que cuidar de vocês e sei fazer isto muito bem. Digno é o operário do seu alimento. Vou preparar em cada cidade o lugar da vossa hospedagem, e neste lar se estenderá o manto da comunhão, enquanto vocês ficarem ali, nada vai faltar até que concluam o trabalho.
II – A IGREJA PRIMITIVA: OS IRMÃOS VIVIAM EM COMUNHÃO.
Com o cumprimento da promessa em Atos 2.1-4, o apóstolo Pedro fez o seu primeiro discurso abordando as profecias do Velho Testamento, citando o profeta Joel (2.28,29). Diante da multidão, pessoas que representavam todas as nações habitadas da terra, o apóstolo Pedro faz um emocionante sermão apresentando a Cristo ao povo, contabilizando naquela reunião quase três mil almas que aceitaram a fé e que agora necessitavam de comunhão e treinamento para amadurecer na vida cristã. Os apóstolos e os irmãos receberam de bom grado o crescimento daqueles novos crentes e começaram a treiná-los (At. 2.37-47). Na “doutrina dos apóstolos, na oração, no batismo, na comunhão, e no partir do pão” e muitas maravilhas e sinais eram feitas pelos apóstolos. Vemos neste texto o cumprimento da visão e missão de Jesus na vida de seus chamados e enviados.
a) O significado da Ceia do Senhor. Os novos crentes foram treinados, transformados e batizados de corpo inteiro em Nome Do Pai, do Filho e Espírito Santo. Estavam prontos para participar da celebração da Ceia do Senhor, feita em memória de Jesus. Os apóstolos seguiram o modelo da ceia que Jesus celebrou antes de sua morte e ressurreição (Mt 26.26-29). É no culto da Ceia do Senhor que os cristãos se reúnem e juntos celebram a vitória da Igreja na morte e ressurreição de Cristo, até que Ele venha. É uma celebração contagiante e de muita comunhão com Cristo e com todos os irmãos. Comamos do mesmo pão e bebamos do mesmo cálice, tudo em comum. Em Cristo somos um (Jo 17.22,23).
b) Comunhão gera liberalidade e comprometimento. Os novos crentes foram contagiados pelo Reino de Deus que agora estava dentro de cada um deles. Seus corações e olhos foram abertos; deram de si mesmo seus bens e posses, pois muitas pessoas que aceitavam a Cristo eram carentes (At 2.45). Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade. A comunhão produz no coração do cristão a liberalidade e o comprometimento. O novo convertido experimenta algo inigualável quando decide por Cristo, seu coração quebranta, despedaça, recebe uma alegria quase que incontrolável. Em sua nova comunidade ele é recebido com alegria, e nesta comunhão o novo crente encontra uma nova maneira de ver as coisas.
c) Relações financeiras entre a comunidade dos primeiros cristãos. Em Atos 4.32 “era o coração e alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuíam era sua própria, mas todas as coisas eram comuns”. Atos 4.4, nos informa que o crescimento era grandioso, indo para quase cinco mil. O mesmo Espírito Santo que promovia a comunhão conduzia também os cristãos à unidade, inclusive de seus bens financeiros. Isto não era requisito organizacional para se tornar membro da comunidade, mas acontecia de forma espontânea; o ato de compartilhar era voluntário. At 4.36-37 exemplifica o modelo do relacionamento financeiro entre a comunidade dos primeiros cristãos. “José, chamado também Barnabé, possuidor de uma propriedade, vendendo-a trouxe o produto da venda e depositou aos pés dos apóstolos”. O Espírito Santo neste século quer liberdade para continuar operando em nossas vidas financeiras, em especial para cuidar dos irmãos carentes.
III – Liderança
Liderança é o processo de: “planejar, organizar, liderar e controlar” e conduzir um grupo de pessoas, transformando-o numa equipe que gere resultados. É a habilidade de motivar e influenciar os liderados de forma ética e positiva, para que contribuam voluntariamente e, com entusiasmo, alcançancem os objetivos da equipe e da organização. Segundo Idalberto Chiavenato, a “Teoria das Relações Humanas” constatou a influência da liderança sobre o comportamento das pessoas. Existem três principais teorias sobre a liderança:
a) Traços da personalidade. Segundo esta teoria o líder possui características marcantes de personalidade que o qualificam para a função.
b) Estilos de liderança. Esta teoria aponta três estilos de liderança: autocrática, democrática e liberal.
Liderança autocrática: O líder é focado apenas nas tarefas. Este tipo de liderança também é chamado de liderança autoritária ou diretiva. O líder toma decisões individuais, desconsiderando a opinião dos liderados.
Liderança democrática: Chamada ainda de liderança participativa ou consultiva, é voltada para as pessoas e há participação dos liderados no processo decisório.
Liderança liberal: Neste tipo de liderança as pessoas tem mais liberdade na execução dos seus projetos, indicando possivelmente uma equipe madura, auto‑dirigida e que não necessita de supervisão constante. Por outro lado, a Liderança liberal também pode ser indício de uma liderança negligente e fraca, onde o líder deixa passar falhas e erros sem corrigí-los.
Liderança paternalista: O paternalismo é uma atrofia da liderança, onde o líder e sua equipe tem relações interpessoais similares às de pai e filho. A Liderança paternalista pode ser confortável para os liderados e evitar conflitos, mas não é o modelo adequado num relacionamento profissional, pois numa relação paternal, o mais importante para o pai é o filho, incondicionalmente. Já em uma relação profissional, o equilíbrio deve preponderar e os resultados a serem alcançados pela equipe são mais importantes que um indivíduo.
c) Situações de liderança. Nesta teoria o líder pode assumir diferentes padrões de liderança de acordo com a situação e para cada um dos membros da equipe. Para Lacombe “os líderes influenciam as pessoas graças ao seu poder, que pode ser o poder legítimo, obtido com o exercício de um cargo, poder de referência, em função das qualidades e do carisma do líder e poder do saber, exercido graças aos seus conhecimentos”. Cada líder deva ser um educador. Segundo Jonh W. Riegel, "o êxito do desenvolvimento de executivos em uma empresa é resultado, em grande parte, da atuação e da capacidade dos seus gerentes no papel de educadores. Cada superior assume este papel quando procura orientar e facilitar os esforços dos subordinados. Não é diferente na esfera pastoral, o líder (pastor) é um mestre educador de seus liderados.
Vários líderes deixaram seus nomes na história: Moisés; Davi; Nabucodonosor; Ciro; Alexandre, o Magno; Napoleão Bonaparte; Gandhi; Mandela; Fayol; Taylor; Max Weber; Churchil, Roosevelt, Stalin, entre outros. Como conseguiram chegar lá no topo da escada? Moisés, por exemplo, usou até uma vara; outros, a estratégia da guerra; outro, a retórica da paz ou a sabedoria das teorias. Jesus, o maior líder que a humanidade já viu, usou as virtudes (Mt 11.29,30 - manso e humilde) para chegar até lá. E no topo da cruz conquistou, pela obediência, “um nome que é sobre todos os nomes dos que estão no céu, na terra e debaixo da terra”. Ninguém conseguiu fazer o que Ele fez e atrair para si milhões de seguidores em todos os tempos. Sua história está viva na mente e no coração dos homens.
a) Jesus lidera a entrada triunfal em Jerusalém. Mt 21.1-17. O Mestre estava ultimando o seu ministério, preparando agora sua entrada triunfal em Jerusalém. Para isto manda buscar perto da aldeia de Betfagé um jumentinho, animal que ninguém havia ainda montado. Os discípulos foram e o trouxeram conforme Jesus havia instruído e “tirando as vestes, colocaram sobre o animal e puseram Jesus em cima”. Em seguida começaram a preparar a cerimônia de triunfo do grande rei na cidade de Sião. O caminho foi preparado com ramos de palmeiras, vestes, e ouve uma grande alegria. O líder formado na Escola de Jesus sabe que as virtudes são necessárias para o desempenho de sua missão: Primeiro - O trabalho, representado pelo animal de carga. Segundo - A humildade, representada pelo animal inadequado pela celebração de qualquer monarca vencedor, que deveria vir montado em um cavalo branco. Terceiro – A determinação, em cumprir um projeto profético dito em Zacarias 9.9. (“Dizei a filha de Sião: Eis que o teu rei aí vem, humilde assentado sobre uma jumenta, e sobre um jumentinho, filho de animal de carga”). Quarto - A santidade, representada pela ação de Cristo em não aceitar na casa de oração interesses alheios ao culto, à adoração e reverência ao Senhor, fazendo ali uma purificação e colocando em ordem a Obra de Deus.
b) Jesus – O líder da multiplicação. Mt 14.13-21. João Batista havia sido decapitado, Jesus ficou muito triste e procurou isolar-se um pouco para lidar com seu sofrimento emocional e voltar-se novamente ao seu ministério. O mestre trabalhava curando os enfermos, expulsando demônios e doutrinando o povo, e, num dia já tarde, os discípulos dizem a Jesus: “despede o povo para que vão e comprem para si alimento, para não desfalecer pelo caminho”. Jesus disse: “Não é bom que vão assim, dêem vós de comer a eles. Os discípulos disseram: “Só temos cinco pães e dois peixinhos”. Jesus então, fazendo assentar o povo na relva, em ordem, tomou a pouca comida, deu graças e ordenou que distribuíssem a todos. A multidão com quase cinco mil homens, além das mulheres e crianças, se alimentaram até fartar e ainda sobraram doze cestos cheios. O líder não despede a multidão faminta, o ministro de Deus tem pão com sobra para todos.
CONCLUSÃO
O ministro, em qualquer escala ministerial, tem a necessidade de compreender que é impossível desatrelar-se do ministério, da liderança e da comunhão ou vice-versa. Todos os líderes bem sucedidos na história usaram a arte liderar e a comunhão com os seus liderados. Líderes não são ilhas e sim continentes. Ainda mais que no mundo contemporâneo a temática é preparar um ambiente propício, onde os líderes e liderados são focados em vários grupos de atividades, convergindo para o mesmo interesse da organização, do Reino. Que haja todo o sucesso nesta maravilha obra que é a Obra de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo sejam toda honra e glória para sempre.
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