![]() |
|
“Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Romanos 1:20 RA).
INTRODUÇÃO.
O apóstolo Paulo buscou anunciar as boas novas de salvação por todo o Império Romano. Por isso, ele fez planos para visitar Roma, a capital do Império, onde já havia uma congregação cristã. Dali ele desejava seguir até a Espanha e esperava que os cristãos em Roma o ajudassem naquela viagem (15.22-24 RA). Paulo queria que eles ficassem sabendo como é que ele entendia a mensagem a respeito de Jesus Cristo.
O escritor Luiz Sayão, comentarista do programa Rota 66, registrou no seu livro Cabeças Feitas (2004, p.56), a fala de Tomás de Aquino, quando ele expressou na visão de Paulo as seguintes palavras: “O máximo que conhecemos de Deus é nada em relação ao que Ele é”.
Essa frase de Aquino fazendo alusão ao pensamento de Paulo é para despertar em nós, ainda mais o desejo de ter vida e comunhão com Deus, assim como declarou o salmista a respeito do antílope: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma” (42:1 RA).
Por mais que a corça não consiga beber toda água dos arroios, mesmo assim ela anseia por eles. Corre em tempo de seca instintivamente em direção às fontes para matar a sua sede por um pouco de tempo e voltar a ter sede, para voltar a correr rumo ao fluxo das torrentes e enquanto tiver vida viverá nesse ciclo para não morrer na sequidão do deserto ou na imensidão das matas ciliares.
Será se é assim, como as corças, que estamos desejando ter um saciante contato com Deus? Como é possível ter esse relacionamento com um Deus que não podemos ver, ouvir ou tocar? Diga-me, quando poderemos contar com Deus?
Essas duas ultimas perguntas que foram feitas nos atingi como uma flecha e fica dentro de nós. Conheço teólogos que ririam desses questionamentos como se fosse mais um sinal de um relacionamento com Deus egoísta. Mas creio que elas se encontram no cerne da maior parte das desilusões em relação a Deus.
Philip Yancey dá aqui também a sua contribuição (2001, p. 21): “Em todos os nossos relacionamentos com pais, filhos, balconistas, frentistas, pastores, vizinhos; temos uma idéia daquilo que podemos dar como certo. E com Deus? Com o que podemos contar no relacionamento com Ele?”
Pensando sobre essas questões, estudaremos sobre o que é preciso para ter vida com Deus.
I. É PRECISO CRER NOS ATRIBUTOS INVISÍVEIS DE DEUS (v20a)
Interpretação: A lista de atributos nada tem de incomum, mas compreender a definição de cada atributo é necessário para o desenvolvimento da vida com Deus. Desta forma os atributos que descrevem o ser de Deus são: Espiritualidade; Invisibilidade; Conhecimento (onisciência); Sabedoria; Veracidade; Bondade; Amor; Misericórdia, graça, paciência; Santidade; Paz; Retidão, justiça; Zelo; Ira; Vontade – “A vontade de Deus é o atributo por meio do qual ele aprova e decide executar todo ato necessário para a existência e para a atividade de si mesmo e de toda a criação”, comentou Grudem (1999, p. 154). Vejamos ainda outros atributos: Onipotência (poder, soberania); Perfeição; Beleza; Glória: num dos seus sentidos a palavra glória significa simplesmente “honra” ou “reputação excelente”. Esse é o significado do termo em Isaías 43.7, em que Deus fala dos seus filhos, “que criei para minha glória”, ou em Romanos 3.23, que diz que “todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Noutro sentido, a “glória” de Deus significa a clara luz que circunda a presença de Deus. Como Deus é espírito, e não energia nem matéria, essa luz visível não faz parte do ser divino, mas é algo criado. Podemos defini-la assim: “a glória de Deus é o brilho criado que circunda a revelação do próprio Deus”, afirma Grudem (1999, p.163).
Contextualização: É através desses e de outros atributos que Deus se faz conhecer aos homens. O homem, porém, que ignorar e não abrir o seu coração para tentar entender Deus pela forma que Ele intervém na condição humana, ficará a margem do Caminho.
Aplicação: Uma verdade precisa ser dita, mesmo que os adeptos do relativismo questionem: se o homem ter fé em Deus, Ele é Deus para atender; entretanto, se o ser humano optar em caminhar pelo caminho da incredulidade, Deus continuará sendo quem É. Que o Senhor nos ajude a convencer os homens de seu estado de pecado e da necessidade de se ter Fé em Deus para uma vida abundante e vida eterna com Cristo.
II. OBSERVAR QUE AS COISAS FORAM CRIADAS (v20b)
Interpretação: Viu Deus que era bom as coisas (o universo, os reinos: mineral, vegetal, animal e humano) que Ele criou. Conquistar um BOM de Deus é extraordinariamente excelente. E tudo que têm esse nível de excelência merece ser apreciado.
Contextualização: O homem pós-moderno, que vive o ativismo exacerbado, precisa ser mais contemplativo. A exemplo do salmista, o varão precisa parar e admirar a criação de Deus com mais freqüência:“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol” (19:1-4 RA).
Ilustração: Um menino certa vez estava aprendendo a tabuada de multiplicação quando, de repente, parou, fitou os olhos em sua mãe e perguntou-lhe: Então, minha mãe, é verdade que Deus fez o mundo? Fez sim, meu bem, respondeu a mãe. E as árvores nas florestas e os pássaros no céu e os bichinhos no campo? Sim, querido. O menino ficou quieto por um momento, meditando nesta grande verdade, e indagou novamente: Mas de onde Deus fez tudo, mamãe? E a boa mãe respondeu: Ele o fez do seu imenso poder e amor, meu filho.
Aplicação: Admirar as obras do Senhor e glorificá-lo é também uma forma de ter ou desenvolver um relacionamento profundo com o Deus criador. Ore comigo assim: Oh! Papai querido, Criador dos céus e da terra. Que eu e meu irmão nunca percamos a sensibilidade de reconhecer os teus feitos. Ajude-me a levar pessoas que ainda não te conhecem a fazer o mesmo. Amém!
III. É PRECISO AFIRMAR AOS HOMENS QUE NÃO HÁ DESCULPAS. (v20c)
Interpretação: A forma clara que o Apóstolo Paulo apresenta este texto não é para dizer que os trabalhos de evangelização são inúteis. Pelo contrário, é para afirmar que os evangelistas precisam usar o argumento da criação para ganhar pessoas para Cristo. Por exemplo: Quem fez o céu e a terra? E os mares e seus limites, que os criou? Será que existe um Ser superior detentor desse poder de criação? Samuel Suana (2006, p.24) comentou em seu livro: “Algumas considerações especiais devem ser feitas. A primeira, sobre a qualidade do verbo empregado na língua hebraica para criar - bará (Gêneses 1.1, 21 e 27). Bará pode significar ‘criar a partir do nada’, isto é, sem ter matéria-prima e também pode significar que não havia precedente, ou seja, algum modelo para referência. Em ambos os casos, Deus é exaltado, tanto em seu poder, quanto em sua criatividade”. Precisamos levar esse conhecimento aos pecadores para que haja o despertar da fé, do entendimento, como fora o caso do escritor aos hebreus: “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (11:3 RA).
Contextualização: Fica aqui um conselho aos que ainda não são cristãos: na mesma proporção em que se desenvolve a perícia do homem na exploração do espaço e na análise da estrutura do átomo, assim, também deveria crescer sua consciência com relação ao poder de Deus; não obstante, não é assim que tem sido, por quê? Eles sabem quem Deus é, mas não lhe dão a glória que ele merece e não lhe são agradecidos. Pelo contrário, os seus pensamentos se tornaram tolos, e a sua mente vazia está coberta de escuridão.
Ilustração: Friedrich Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão em seu pensamento revela a influência da filosofia grega e da obra de Arthur Schopenhauer (1788-1860). Nietzsche tentou provar que os valores tradicionais representados, principalmente pelo cristianismo, tinham perdido poder na vida das pessoas, afirmando: “Chamo o cristianismo a única grande calamidade, a única grande perversão interna, o único grande instinto de ódio, que não encontra meios bastantes venenosos, suficientemente subterrâneos, bastantes pequenos; o título, única e imoral desonra da humanidade” (SAYÃO, 2004, p. 58)
Aplicação: Nietzsche e qualquer outro ateu, agnóstico, naturalista, politeísta, panteísta, hedonista ou quem quer que seja, não terão argumentos diante de Jesus quando Ele perguntar: por que você não me aceitou como seu Senhor? Nesse momento os argumentos sumirão; as desculpas não terão vez. É fato que Deus não é tudo, todavia, diante de todas as coisas criadas, podemos declarar em alto e bom som que Deus está em todos os lugares, até mesmo aonde não existe oxigênio tão vital para o homem.
CONCLUSÃO
Na Carta aos Romanos aparece um aspecto completo e ordenado da epístola de Paulo. Depois de cumprimentar os leitores e discorrer do seu grande anseio de conhecê-los pessoalmente, Paulo propaga a doutrina básica: o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todos os que o aceitam, pois "o evangelho mostra como é que Deus nos aceita: é por meio da fé, do começo ao fim" (1.16-17 RA). Sendo assim, não podemos deixar de pregar, pois a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus (Romanos 10.17 RA), porém, se os homens ignorarem o evangelho, pelas coisas criadas através dos atributos invisíveis de Deus, eles não terão desculpas, serão indesculpáveis no dia do Juízo Final.
Fontes:
BÍBLIA SAGRADA, Edição Revista e Atualizada (RA), trad. João Ferreira de Almeida, Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), São Paulo, SP, 1993.
CANNE, BROWNE, BLAYNEY, SCOTT et alli. CONCORDÂNCIA EXAUSTIVA DO CONHECIMENTO BÍBLICO. Barueri, Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.
DAVIDSON, Francis (ed.), STIBBS, A. M. (colab.), KEVAN, E. F. (colab.), SHEDD, Russell P. (ed. em português). O NOVO COMENTÁRIO DA BÍBLIA. 3ed. São Paulo, Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1995.
GRUDEM, Wayne. TEOLOGIA SISTEMÁTICA. Diversos tradutores. São Paulo: Vida Nova, 1999.
SAYÂO, Luiz Alberto Teixeira. CABEÇAS FEITAS: filosofia prática para cristãos. São Paulo: Hagnos, 2001.
SUANA, Samuel. PENTATEUCO: os fundamentos éticos e religiosos de Israel no Antigo Testamento. Pindamonhangaba: IBAD, 2006.
YANCEY, Philip. O DEUS (IN)VISÍVEL: como se relacionar com um Deus que não podemos ver, ouvir e tocar. Tradução de Yolanda M. Krievin. São Paulo: Editora Vida, 2001.
Copyright © 2008 - Ass. de Deus - Min. Madureira - Anápolis-GO. Todos os direitos reservados.