OS CEIFEIROS E A COLHEITA
Lucas 10:2
Ev. Julio César Soares
Professor da Escola Bíblica Dominical - SEDE
Professor do Seminário de Treinamento de Obreiros
INTRODUÇÃO
Nossos ouvidos espirituais estão realmente ouvindo o clamor das almas por salvação? Ou será que estamos mais preocupados com os compromissos pessoais que nos oferecem conforto e segurança para o nosso futuro? Como “obreiros de Deus nesta geração” fomos chamados para enfrentar as dificuldades dos dias atuais e aprendermos a posicionar como cristãos autênticos na chamada pós-modernidade, que gera tantos conflitos de gerações. Precisamos assumir a grande responsabilidade e enfrentarmos esses conflitos de cabeça levantada, como bons soldados de Cristo, combatendo sempre o bom combate da fé. Deus tem um plano maravilhoso para transformar este mundo, já proveu a salvação com a vinda do seu filho Jesus para morrer pela humanidade e nos escolheu para a gloriosa tarefa de ceifeiros da Seara do Mestre.
1. O DESAFIO DA PREPARAÇÃO DOS CEIFEIROS
Jesus quer que seus ceifeiros lutem contra as forças inimigas, expulsando os espíritos malignos e as enfermidades que assolam a humanidade. Esta obra divina é a manifestação do Reino de Deus na terra. Aquele que deseja ver o Reino de Deus crescer tem que aprender a lutar contra Satanás, pois ele é inimigo mortal da nossa alma. A pregação do Reino de Deus deve ser acompanhada da manifestação do poder de Deus contra as forças do pecado, das enfermidades e de Satanás.
a) O preparo da consciência espiritual (Ef 6.12). A maior luta dos ceifeiros não é contra o que se vê, mas, sim contra o mundo invisível das trevas, que é dominado pelo adversário de nossas almas, o qual usa as pessoas para praticar suas maldades contra a Palavra de Deus. (Ap 12.17, Lc 4.18, Cl 1.13,14, Mt 16.18). Graças a Deus que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja, pois Cristo deu a ela autoridade contra o inimigo para não ser enganada com suas mentiras. Os ceifeiros precisam estudar mais a Palavra de Deus, para tomar conhecimento dos lugares desta batalha, e qual deve ser a sua posição.
b) O preparo da vida de oração (Ef 6.18) A batalha travada em oração tem grande poder de libertação. Numa guerra espiritual, para vencer principados e potestades das regiões celestiais, precisamos ter fé e confiança em Deus, e, além disso, ter a “Palavra de Deus” em nossa boca, em oração. A oração da “Palavra” é o combustível que move os anjos do Senhor (Atos 12.5). A oração move o braço de Deus em favor das pessoas pelas quais estamos intercedendo para serem salvas. Os grandes avivamentos (festas de alegria, “Pentecostes”) só acontecem após a colheita dos frutos para Deus (colheita de almas para entregar ao Salvador). Quando estamos preparados, aprovados e selados; estamos capacitados e cheios do Espírito de Deus. Agora é só trabalhar!
c) O preparo da defesa pessoal. A nossa arma de guerra está no uso da Palavra de Deus em nossa boca com poder e autoridade. Em Efésios 6.13-17 a Bíblia nos equipa para a guerra com a armadura de Deus. “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois firmes, cingindo vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. O capacete da salvação, para proteger a mente. A couraça da justiça, o Sangue de Jesus, nossa proteção. O calçado, sandálias nos pés, já exercitados com o Evangelho de Jesus Cristo. O escudo da fé, nosso instrumento de defesa pessoal, para proteger dos dardos inflamados do maligno. A Palavra da Verdade, que é a espada do Espírito, de dois gumes, que sai da boca de Deus, usando a nossa boca como canal. Seremos mais que vencedores em Cristo Jesus! Agora é só sair para fazer esta grande obra na terra. A seara é grande e está esperando os bravos ceifeiros.
2. OS PRINCÍPIOS ESPIRITUAIS DOS CEIFEIROS
São princípios espirituais para ser um ceifeiro genuíno: a) Os verdadeiros seguidores de Cristo precisam estar dispostos a enfrentar tudo; b) A identificação com Cristo tem prioridade sobre questões de família. c) Quanto maior o privilégio, maior as responsabilidades.
a) O serviço do Senhor depende de uma chamada inabalável. É difícil definir uma chamada, mas vemos que nenhum dos testemunhos das chamadas bíblicas foram iguais. Para Moises era “tudo demais!” (Êx 3 e 4); Samuel ouviu “uma voz desconhecida num quarto de uma criança” (1 Sm 3); Gideão não conseguia crer que Deus estivesse interessado (Jz 6); para Amós, “uma invasão que não era bem-vinda (Am 7.14); para Maria, dizer sim significava um grande risco (Lc 1.28); já a chamada de Paulo incluiu uma dura queda de seu cavalo e do seu ardor religioso (Atos 9); os discípulos, de tão entusiasmados que ficaram, que deixaram tudo para seguir Jesus (Mt 4.18).
b) Jesus procura ceifeiros para sua Seara. Jesus sempre quis ter voluntários, mas eles nunca se apresentaram em numero suficiente, por isso foi necessário que Ele saísse à procura de obreiros para seu serviço. Em Mateus 8.21 lemos a respeito de um dos seus discípulos que queria segui-lo como obreiro, o contexto parece indicar que o primeiro, o escriba, tornou-se discípulo; também parece indicar que o segundo homem não chegou a ser discípulo, mas um auxiliar a espalhar as boas-novas do reino de Deus. Este, por sentir responsabilidade filial, quis primeiramente voltar à sua casa, que era distante, para fazer o enterro do pai. Como os enterros eram feitos no mesmo dia da morte concluímos que o pai não estava morto. Assim, só depois da morte do pai teria tempo integral para seguir a Cristo. Louva-se o senso de responsabilidade deste moço, mas Jesus opinou que havia gente espiritualmente morta nessa casa; eles bem poderiam cuidar do enterro do pai.
c) O verdadeiro ceifeiro não volta atrás. Ainda no capítulo 8 de Mateus um terceiro homem é mencionado, o qual começara a seguir a Cristo, mas passou a pensar na sua gente, no que poderiam estar fazendo, em que estariam pensando, ou nos problemas que enfrentariam. Ele pediu permissão para voltar à sua casa, despedir-se de seus familiares e dar-lhes as devidas instruções. Jesus percebeu que este homem não cuidaria bem da obra que lhe seria confiada. Ele queria servir a Jesus, mas também manter as antigas relações. Jesus recusou seu serviço, avisando-o de que quem olha para trás não é apto para o Reino de Deus.
3 A IGREJA PREPARADA PARA A COLHEITA.
Organizar-se, portanto, é bíblico; planejar, também; preparar para a colheita, mais ainda; executar o que foi planejado também é tarefa primordial. Estamos no tempo da semeadura e da colheita, isto é simultâneo, um projeto de vida da igreja para o qual todas as suas forças precisam ser mobilizadas. A igreja ideal é uma meta, muitas não chegaram ainda a este padrão, por isso, perseverar em buscá lo é um dever.
a) A Igreja se prepara trabalhando. O trabalho da Igreja é semear a Palavra e conseguir, aqui e agora, uma grande colheita de vidas para o Senhor. Para isso ela deve adotar um modelo de atuação no mundo, pautada pelo ensino bíblico, o qual fornece o modelo ideal que enfatiza a urgência da colheita do Evangelho, a necessidade do conhecimento para o bom preparo da terra e o uso dos recursos possíveis. Todos os crentes devem olhar para o mundo como um imenso campo a ser urgentemente lavrado, semeado e ceifado.
b) A boa semeadura exige conhecimento. O conhecimento sobre a semeadura está implícito no episódio da passagem de Jesus em Samaria e serviu para ensinar aos discípulos a importância da ceifa no contexto da Igreja. O Mestre, ao deixar a região desértica de Israel, entrou na parte agrícola do país e, aproveitando o cenário de campos plantados aguardando colheita, transmitiu as boas novas do reino lançando a gloriosa semente. O resultado da colheita foi uma cidade alcançada pelo evangelho da vida em apenas dois dias. Cristo aproveitou a oportunidade para mostrar que a colheita do evangelho é sempre urgente e não pode ser adiada (Jo 4 3, 35, 39 42).
c) A boa semeadura requer preparo. Além do conhecimento que se aperfeiçoa a cada dia, a semeadura produtiva requer ainda um bom preparo da terra (Mt.16.2,3). Nos tempos bíblicos lavrava-se a terra com arados de madeira ou ferro, puxados por animais e conduzidos pelo lavrador (1 Reis 19.19-21). A lavoura, por sua vez, requer a escolha de terra e clima adequados à espécie que se deseja plantar. Há plantações apropriadas ao clima frio e regiões montanhosas, enquanto outras só frutificam em climas tropicais e terreno plano. Cada espécie exige uma forma de sementeira e cultivo para que os resultados sejam proveitosos. Assim é a semeadura do evangelho, com bom planejamento resultará em grandiosa colheita para a eternidade em Cristo Jesus.
4. OS REQUISITOS PARA A COLHEITA ABUNDANTE
A lavoura deve ser apropriadamente cuidada a fim de ter uma farta colheita. O mesmo principio se aplica à vida espiritual, depois de recebê-lo como hospede constante é necessário cooperar com Ele para que haja mais fruto. Alguns fatores são indispensáveis a uma colheita abundante.
a) Cultivar a comunhão com Deus. Cultivar significa cuidar da planta, provendo condições essenciais para o crescimento. Antes das primeiras flores aparecerem e dos frutos serem vistos há um longo cuidado de zelo, carinho e atenção. Para alcançarmos um bom resultado é indispensável cultivarmos a nossa relação com o Pai, pois é Ele quem nos proporciona um bom desenvolvimento (1 Co l.9; 2 Co13.13; 1 Jo 1.3).
b) Cultivar a comunhão com outros cristãos. Para o lavrador é conveniente ter a plantação agrupada de acordo com o fruto. As laranjeiras, os pés de milho, todos são plantados juntos, porquanto este procedimento facilita o cultivo e a colheita. Através da comunhão com outros crentes, encorajamos uns aos outros a viver de maneira santa. Os primeiros cristãos possuíam intima comunhão entre si, fato que atraia as pessoas e conduzia a uma colheita diária de almas (At 2.46,47).
c) Aceitar o ministério de líderes piedosos. Deus usa seus lideres para alimentar e nutrir seu povo. Esses líderes têm como propósito “edificar os servos do Senhor tendo em vista o seu amadurecimento” (Ef 4.11-13). Paulo expressa a mesma verdade aos coríntios falando dos diferentes papéis que ele e Apolo desempenharam no desenvolvimento dos coríntios: “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento (1 Co 3.6). Quando aceitamos e praticamos os ensinos bíblicos ministrados por líderes piedosos somos conduzidos a um lugar mais fértil.
CONCLUSÃO
Esta é a nossa última hora. Algumas portas estão se abrindo rapidamente para obra missionária e evangelística, por isso temos que possuir visão e paixão verdadeiras, para fazermos a obra de Deus. Esta visão deve ser global (João 3.16).