A IGREJA CRESCENDO ATRAVÉS DO AMOR
João 4.7-16
Pr. Lauro Coelho
Pastor Auxiliar - Igreja Sede
Desde os primórdios da igreja podemos observar o seu crescimento; crescimento este segundo a vontade do Senhor demonstrado em seu Amor para com a humanidade. A igreja nasceu fundamentada na palavra de Deus, confirmada na cruz do calvário através do sacrifico de Cristo e com a atuação direta do Espírito Santo na vida dos fiéis. Somente o amor foi capaz de predispor a Deus a buscar o bem da humanidade corrompida. Sem ele, nenhuma aliança teria sentido; nenhum testamento seria firmado sem ele, pois todos os atos de Deus são atos de amor.
Para falarmos do amor temos que fazer distinções em suas diversas formas:
Amor Ágape. É a palavra utilizada todas as vezes que se menciona um amor que tem como origem o próprio Deus; Amor divino; é um amor que não leva em consideração o valor do ente amado, que não se importa em satisfação própria, mas tem prazer tão somente no benefício do ente amado.
Amor Phileo ou Philis. Philia é uma palavra linda que realçaa o carinho amigo, união e muita sinceridade. É o amor fraternal, o amor emocional, sentimental, decorrente de uma atitude de simpatia, de empatia, é a amizade. Amor que ainda devemos cultivar pelos nossos irmãos.
Amor Storge. Descrevia um laço que devido ao nascimento, uma família estava unindo. É o amor entre pais e filhos, fruto da afeição parental. Porém hoje passo a passo quase caído no esquecimento. O Storge familiar está sumindo.
Amor Eros. Eros era o deus do amor. Mas a palavra Eros porém, envolvia o inteiro ser, o sentimento e o calor. Envolvia o coração também de um homem e uma mulher ou vice-versa. É o amor do relacionamento entre os cônjuges, amor carnal, a atração física. Este amor, de forma distorcida, é o difundido no mundo de hoje, dando origem a toda sorte de imoralidade e impureza sexual.
Todo crescimento está relacionado com um destes tipos de Amor. O crescimento quantitativo da raça humana relacionada com o amor Eros, vindo a formação da família estabelece o amor Storge, logo há a necessidade do amor Phileo nos relacionamentos diversos, mas a origem do Amor maior está na essência da vida, está na criação, está em Deus, criador de todas as coisas.
I – O AMOR DE DEUS.
Em todas épocas podemos observar através da bíblia o interesse de Deus em aumentar o quantitativo de seu povo. Após a criação do primeiro casal vieram instruções, ordens para crescer, multiplicar e encher (povoar) a terra. Porém, além do crescimento da espécie, o homem com suas tendências adâmicas e pecaminosas, não entendeu a necessidade de crescimento espiritual, vieram gerações que não invocaram o Senhor, mas sempre o Senhor observando, procurando os fiéis (Sl 33.18 e Pv 15. 3), a procura do Senhor sempre trouxe benefícios para aqueles que tiveram um propósito definido em suas vidas, o de amar o Senhor. Ex.: Enoque (Gn 5. 22 a 24), Noé (Gn 6.13 e 18) e Abraão(Gn 17. 5).
a) Um amor universal que propicia a vida eterna. O amor de Deus à humanidade, ao homem pecador, é tamanho que Deus o demonstrou a todos através do ato sacrificial de Jesus Cristo na cruz do calvário (Rm 5. 8). O propósito de Deus é ver o homem resgatado, salvo (ITm 2. 3 e 4), livre para adorar e servir ao criador e, a única opção eficaz para atingir este objetivo ficou restringida ao sacrifico de seu Filho, diante disto Deus o oferece a nós como Salvador da humanidade (Jo 3.16 – Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.).
b) Um amor que nos vivifica. O amor de Deus dispensado a nós é tal que mesmo antes de termos comunhão com Êle, estando nós ainda mortos em nossos delitos, Ele nos vivificou juntamente com Cristo, através de sua riquíssima misericórdia nos amou pelo seu muito amor (Ef 2. 4 e 5). Ao ganharmos nova vida espiritual nos tornamos filhos espirituais e passamos a integrar a família do Senhor.
c) Amor de Pai. Deus não só criou o homem como também quer a adoração desta criatura, colocando-nos na condição de filhos. As relações entre pais e filhos devem ser fundamentadas no amor. O amor é a base de um lar perfeito, para crescimento bem ajustado. Só há harmonia numa casa onde o pai demonstra o seu amor, o filho recebe e também retribui este amor em forma de gratidão reconhecendo as ações do pai pelos filhos. Somos amados pelo Pai celestial quando contribuímos com alegria (ICo 9.7); somos disciplinados pelo Pai na demonstração de seu amor (Hb 12.6); Deus preparou coisas especiais (entre elas a salvação) para os que o amam (ICo 2. 9).
II – O AMOR DE CRISTO.
Jesus não somente falou do amor de Deus aos pecadores. Mas, acima de tudo demonstrou o seu amor pelas almas, vindo ao mundo em busca de suas ovelhas perdidas. Custou-lhe a vida, porém a deu de boa vontade pela alegria de salvar aos que amava(Lc 19.10).
a) Amor incondicional. O amor de Cristo por nós está evidenciado na cruz do calvário. Sua morte e ressurreição nos propiciam a oportunidade de voltar a Deus. Ao ver a necessidade de resgatar o homem, Cristo se limitou, despojou-se de sua glória temporariamente com o propósito firme e incondicional de ir até ao calvário para garantir a vitória sobre a morte e oferecer vida ao homem pecador, garantiu o crescimento do reino. Jesus não fez nenhuma imposição ou condição para ser crucificado, aceitou o projeto de Deus (Is 53. 7).
b) Amor que excede todo entendimento. A oração de Paulo a igreja de Éfeso (Ef 3. 14 a 21) nos ensina que o amor de Cristo excede a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade; só entenderemos verdadeiramente a grandiosidade deste amor se estivermos, pela fé, tendo Cristo em nossos corações. O propósito do Senhor é que todos conheçam a verdade, e a verdade os libertará, aumentando assim o número de libertos, salvos para o reino.
c) Amor sacrificial. Jesus, nosso cordeiro pascal, aquele que nos garante a vida, se entregou ao sacrifício na cruz do calvário de uma forma muito humilde e singela, passando por um sofrimento que estava destinado à humanidade e restabelecendo a possibilidade de comunhão do homem pecador com Deus, tudo por amor a nós(Is 53. 2 a 7; Jo 15. 13).
III – A VIDA EM AMOR.
Sem o Amor de Deus, a graça salvadora de Jesus Cristo e as consolações do Espírito Santo em nossas vidas, não há possibilidade de haver a igreja. O início está baseado no amor vindo do Pai, e que também deve ser presente na vida dos fiéis, como demonstrado nas escrituras, objetivando o nosso crescimento espiritual e crescimento da igreja. O Amor é um dos mais altos e sublimes atributos comunicáveis de Deus.
a) O Amor compartilhado entre os irmãos. A bíblia é muito clara quanto à necessidade da prática do amor entre os irmãos, numa família feliz a predominância é o amor constante nas relações afetivas. Jesus demonstrou seu amor à humanidade na mesma proporção do Pai e nos deixou um mandamento novo: “Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15.12). O amor phileo aqui deve ser praticado e o amor promoverá a unidade e o crescimento.
b) O Amor praticado com coração puro. A pureza em nossas vidas deve ser algo sempre constante; Jesus ensinou sobre a necessidade do novo nascimento e despojar-se do velho homem e de suas práticas pecaminosas (Jo 3. 3). Deus nos avalia pelo coração (ISm 16. 7), daí a necessidade de purificação, ocupar este coração com a palavra do Senhor e também fazer aí morada do Espírito Santo. Onde há a presença de Deus há alegria, logo o coração puro estará apto para o Senhor e automaticamente sendo instrumento para prática do amor (IPe 1. 22). O coração sábio e puro pratica o amor, gerando possibilidades de crescimento.
c) Não amar o mundo. Na mesma intensidade que Deus requer de nós a adoração sincera, com coração puro e cheio de amor, rejeita as práticas, as ações, que podem levar o homem a amar o mundo. Somos convidados a não amar o mundo: IJo 2.15 – “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo o amor do Pai não está nele”. Deus não reparte ou divide a sua glória, a opção é nossa, servi ao Senhor ou aos deuses do mundo. Façamos como Josué: “eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24. 15). Sejamos membros da família de Deus.
IV – O AMOR PELAS ALMAS
Em todas as ações de Deus está demonstrado o seu amor pelas almas. O servo do Senhor tem por obrigação a vivenciar o amor de Deus compartilhando a bênção da salvação, e para tal deve ter o compromisso de trabalhar para o Senhor, como servos bons, obedientes e fiéis, procurando com Zelo de Deus e muito amor no coração, alcançar vidas para o reino.
a) Praticando o dom do Amor. Todo líder autêntico tem como característica básica provável como melhor dom: o amor. O líder procura constantemente aprender e crescer, e também ajudar outras pessoas a aprenderem e crescerem, “Aprender e Crescer no Amor, na graça do Senhor”. Como servos fomos chamados para exercer uma liderança em maior ou menor grau, daí a necessidade de observar as vidas no mundo e com amor decidir ajudá-las a encontrar o caminho para a salvação.
b) Conquistando através do Amor. O amor pelas almas deve ser demonstrado, pois temos que objetivarmos alcançá-las para Cristo, este deve ser o desejo ardente em nossos corações em vê-las salvas e servindo ao Senhor. A conquista tem que ser feita com amor.
c) A evidência do amor. Apartar-se do mal, do pecado e de tudo quanto causa dano e tristeza ao próximo e a Deus é a primeira evidência do amor cristão em nossas vidas. Ir para o campo (evangelização) com o coração ardente e amoroso pelas almas é uma das maiores provas da certeza da salvação e amor pelas almas perdidas que também necessitam da salvação.
CONCLUSÃO
No evangelho escrito por Lucas capítulo15 podemos observar a alegria provocada pela pelo amor. A recuperação dos valores espirituais perdidos e encontrados na parábola da dracma perdida, o encontro da ovelha perdida e a volta do filho pródigo.
O amor vê o indivíduo. Compadece-se do perdido. Dedica-se à busca. Comemora o achado do perdido. Restaura o que foi achado e cuida dele. Deus é Amor (IJo 4. 8). Amém!