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OS DISPENSEIROS DE DEUS
At 2.42-47




Pr. Dari Bento de Andrade
Pastor Dirigente - Congregação Vila Fabril, Anápolis GO


INTRODUÇÃO:
Devemos estar sempre preparados para a colheita de almas, e, para isso, entre as medidas que temos de tomar, estão as de prover dispensas prontas, preparadas e ampliadas para acondicionar os resultados da colheita e preparar despenseiros fiéis como administradores.
 
I - PREPARANDO AS DESPENSAS PARA A COLHEITA.
A despensa é um compartimento na casa, ou fora dela, onde se guardam mantimentos e o despenseiro é o seu encarregado. A Bíblia refere-se também ao celeiro, sinônimo de despensa, um lugar onde se ajuntam e guardam cereais para sobrevivência.
a) Ampliando as nossas despensas (Lc 12.18). Os bons despenseiros precisam ser visionários (2 Rs 6.1-4; Is 54.2), diante das promessas de Deus de uma abundante colheita (Lv 26.5,10; SI 144.13; Pv 3.10; Mt 13.8; Lc 12.18). Despenseiro sem visão será pego despreparado, com celeiros insuficientes para recolher os frutos (... não tenho onde recolher os meus frutos - Lc 12.18). Se os frutos não forem bem armazenados o risco de perda será inevitável. Quando o despenseiro tem visão, vê que a lavoura já está madura para a colheita, e que é necessário estar com as despensas ou celeiros preparados. (Jo 4.35)
b) Com as despensas prontas a colheita estará protegida. Na zona rural os agricultores costumam reformar os seus celeiros na véspera da colheita para guardar os frutos que irá precisar para sua subsistência, e também para plantar no próximo ano; para que na entre safra, que é o período entre uma e a outra colheita, os produtos estejam bem acondicionados. A Palavra de Deus nos mostra que, em decorrência da obediência do povo haverá continuidade das bênçãos divinas sobre os celeiros e com isso as despensas estarão sempre cheias (Lv 26.5,10, SI 144.13; Pv 3.10). Assim sendo os despenseiros nunca estarão ociosos.
c) Despensas cheias de bênçãos espirituais e materiais (1 Co 9.11 14). O despenseiro de Deus administra, não só as bênçãos espirituais, mas também materiais. Embora as coisas espirituais às vezes venham em primeiro lugar, as outras não podem ser esquecidas. Tiago disse: "A fé sem as obras é morta” (Tg 2.14-17). A verdadeira religião tem despenseiros que se preocupam com a filantropia (At 6.1-4), até porque a religião pura para com Deus é esta: "cuidar dos órfãos e viúvas nas suas necessidades e guardar-se incontaminado do mundo" (Tg 1.27).
 
2. PREPARANDO OS DESPENSEIROS.
Em todas as áreas, quanto mais preparo houve melhor fluirá o trabalho. A qualificação profissional é exigência fundamental no século XXI. Na Igreja do Senhor não é diferente, pois a Bíblia assevera: "Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente" (Jr 48.10).
a) O preparo psicológico. Todos os despenseiros de Deus precisam estar psicologicamente preparados para esta importante missão; pois como tal lidamos com toda sorte de problemas, desde os de ordem espiritual até conflitos psicoemocionais e sociais. Aí é necessário que tenhamos preparo psicológico para melhor interpretar esses problemas, trazendo soluções sabias, tratando as pessoas como elas devem ser tratadas, com amor, carinho e delicadeza. Lembrando que segundo a psicologia as principais necessidades do ser humano são: amor, compreensão e aceitação. Deus quer despenseiros que amem, aceitem e compreendam as pessoas.
b) O preparo moral (1 Co 4.1; 1a Tm 3.7). O preparo moral é necessário porque somos administradores dos bens de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estar moralmente preparado é ter conduta e capacidade administrativa acima de qualquer suspeita. Requer-se dos despenseiros que sejam considerados pelos homens como tal (1 Co 4.1), que sejam honestos e que tenham bom testemunho dos que estão de fora (1 Tm 3. 2, 7, 8). Essas e outras muitas são virtudes morais que os bons despenseiros precisam ter. Poucas pessoas são tão julgadas, censuradas e vigiadas como aquelas que exercem a função de administrar os bens alheios e o despenseiro do Reino de Deus não está imune a isso. Que possamos terminar o nosso ministério como despenseiros com a consciência tranqüila, assim como o profeta Samuel e o apóstolo Paulo (1 Sm 12.3-5; At 20.33).
c) O preparo espiritual. No texto de Gálatas 6.1-6 está escrito que: "Se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal". Uma das principais funções do despenseiro é auxiliar os fracos espirituais. A base espiritual do despenseiro serve de sustentação para os mais fracos (Rm 14.1; 15.1,2). Aquele que esta em pé cuide para que não caia (1 Co 10.12).
 
3. AS CARACTERÍSTICAS DO BOM DESPENSEIRO.
Quando se trata da mordomia cristã a Bíblia Sagrada pontifica as características necessárias ao bom mordomo ou despenseiro.
a) Fidelidade (Ne 13.13; 1 Co 4.1,2). A fidelidade é uma virtude essencial ao despenseiro, aquele que vê no "pouco" a possibilidade de fazer muito. Certamente este será recompensado pelo Senhor da Seara: "Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei" (Mt 25. 20-23). Não se requer fidelidade apenas para quem administra muitos bens, mas também para quem cuida de pouco. Não importa se são cinco, dois ou três talentos; todos os "servos" foram chamados a prestar contas, e, todos foram testados no quesito fidelidade (Mt 25.14-30; Lc 16.10  -12).
b) Liberalidade (SI 112.9; Rm 12.8). Esta é característica imprescindível ao bom despenseiro. A Bíblia diz que “aqueles que têm o dom de repartir, o façam com liberalidade (Dt 15.7-11; Rm 12.8). O despenseiro não pode ser mesquinho ou avarento, mas, por outro lado não pode ser esbanjador ou dissipador de bens (Mt 24.45-51; Lc 12.42-46; 16.1). Liberal é o mesmo que generoso; e, tendo em vista que administramos os bens de um Deus generoso, devemos ser também generosos. "A alma generosa engordará e o que regar também será regado" (Pv 11.25).
c) Diligência (Pv 10.4; 22.29). A palavra diligente significa: ativo, zeloso, cuidadoso (Pv 12.24,27; 13.4; 21.5). Partindo do pressuposto do zelo administrativo, percebemos o quanto é difícil trabalhar com pessoas desorganizadas. Toda equipe onde impera a desorganização sofre com a falta de rendimento e produtividade. A Bíblia diz: "O negligente na sua obra é irmão do desperdiçador" (Pv 18.9).
 
4. OS DESPENSEIROS DA TRINDADE DIVINA.
Somos despenseiros do Deus, a quem pertence todas as coisas (SI 24.1; Ag 2.8), mas como acreditamos em um Deus Trino, somos então despenseiros da Trindade.
a) Despenseiros de Deus (Gn 1.28). Deus criou todas as coisas e entregou ao homem o governo das suas obras (SI 8.3-9). O homem fora criado, “imagem e semelhança de Deus" (Gn 1.26), com inteligência, razão e todas as condições de exercer a função de mordomo, ou seja, foi colocado como co-regente de Deus no comando dos seus bens. Assim sendo somos, despenseiros dos mistérios de Deus (1 Co 4.1 b).
b) Despenseiros de Cristo (Jo 15.16; 17.18). Ser despenseiro de Cristo significa prestar serviço à sua obra. Nós recebemos diretamente dEle a grande comissão (Mc 16.15-20). Numa das parábolas que trata da mordomia cristã está claro que o "senhor" que delega as tarefas representa o Senhor Jesus Cristo, que nos delegou tarefas a ser executadas em sua casa - a Igreja. Quando Ele voltar ajustará as contas conosco (Mt 24.45-51; 25.14-30; Mc 13.34, Lc 19.11-27). No ministério de Jesus há um exemplo literal do mau despenseiro. Judas, que era tesoureiro, cargo de confiança no delegado por Jesus. Ele era hipócrita e mesquinho, pois viu na atitude da mulher pecadora com Jesus um gesto desnecessário, ao passo que ele mesmo lançava mão dos recursos do que ali entrava (Jo 12. 1-9).
c) Despenseiros do Espírito Santo (At 13.2,4). O Espírito Santo comissiona, orienta e capacita os despenseiros, concedendo dons para melhor desempenho de sua obra (1 Co 12.1-11). "Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constitui bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que Ele resgatou com seu próprio sangue" (At 20.28).
 
CONCLUSÃO:
Despenseiro ou mordomo. No Antigo Testamento o mordomo era encarregado de uma casa (Gn 39.2-6; 43.19; 44.4). Já no Novo Testamento há duas palavras para definir o despenseiro: "epitropos" (Mt 20.8; Lc 8.3; Gl 4.2) isto é, alguém a cujos cuidados de guardião uma propriedade alheia foi confiada; e, que é traduzida como "administrador", "procurador" e "curador"; e “oiconomos”, que ocorre por dez vezes, e é traduzido como "administrador", "despenseiro", "mordomo", "tesoureiro" e "tutor" (Lc 16.2,3; 1 Co 4.1,2; Tt 1.7; 1a Pe 4.10). Este último vocábulo provém de “oikos” (casa) e de “nomo” (dispensar ou gerir), o que da à palavra o sentido de gerente ou superintendente. Que todos nós sejamos despenseiros fiéis dos bens de nosso Pai Celestial, para que quando Ele enviar Seu Filho para nos buscar e acertar as contas conosco, sejamos bem recompensados por Ele na Sua vinda!

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