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A VIDA CRISTÃ E A ORAÇÃO

Mateus 6.6


Pr. Raimundo Sirqueira
4º vice-presidente da Igreja



Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está em oculto; e teu Pai, que vê o que está em oculto te recompensará.

Introdução
    A oração é a maneira que encontramos para conversar com Deus, portando é um diálogo, onde colocamos o que queremos para Deus, e ele nos responde à sua maneira e vontade. É o combustível que o crente necessita para continuar sua jornada com Cristo, até àquele dia que aguardamos com muita esperança. Porque qualquer que nele tem está esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro. (1 Jo 3.3). O cristão verdadeiro precisa estar clamando a Deus sem cessar (1 Ts 5.8).

1. A oração como base da vida cristã
    A oração é o centro da razão de viver com Cristo, é o alicerce daqueles que servem ao Senhor e o busca de todo seu coração, meditando todo dia com reverência e coração contrito. “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás ó Deus.” (Sl 51.17).
a) O cristão deve ter vida contínua com Deus. Deus tem prazer em abençoar o cristão verdadeiro que estiver em Cristo e, que deposita toda sua confiança no Senhor. Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverdes em vós, pedireis tudo que quiserdes e vos será feito. (Jo. 15.7). A expressão aqui, é sem reserva, denota qualquer coisa que pedir a Jesus crendo receberás. Mas, todavia, se estiverdes em Mim. È uma condição, para alcançarmos à vitória. O sucesso para obter a vitória é somente estar em Cristo. Porque sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam. (Hb 11.06).
b) O cristão precisa falar francamente com Deus. Falar com franqueza não é colocar Deus “na parede”, mas ter clareza ao conversar com Ele. Então, clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele te dirá: eis me aqui (Is 58.9a). Observemos que ele disse: “gritarás”; quem grita, grita por alguma ciosa e não por coisa incerta, é preciso ter objetivos ao orar; oração vaga não tem efeito. Deus ele tem prazer em nos ouvir nos mínimos detalhes, seja qual for o problema que temos de contar, ele nos ouve e nos atende em tempo oportuno. Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem o seu ouvido, agravado, para não poder ouvir (Is 59.1).
c) O cristão precisa compreender o tempo de Deus. Geralmente as pessoas pedem algo para Deus e pensam que o Senhor já está atrasado porque ainda não fez o milagre, mas a bíblia diz que precisamos ser perseverantes. É essa a principal característica da parábola da viúva importuna (Lc 18.1-7). Ela nos mostra como devemos proceder diante das situações adversas do dia a dia. Muitas vezes precisamos incessantemente conversar com Deus, demonstrando um ato de fé no Senhor para que ele possa fazer justiça. Com isto, não significa, que ele não esteja nos vendo, mas as dificuldades nos fazem orar constantemente, e isto nos protege do inimigo.

2. As formas de oração.
    Através da Bíblia encontramos diversos tipos de oração que outrora foram desenvolvidas ao longo da história, vejamos alguns.
a) A oração mental. É a oração da alma e do coração; é uma confissão, um pedido de misericórdia e pode ser feita em qualquer lugar, em todas as ocasiões; por todos os crentes e até descrentes, como o caso do ladrão da cruz, que disse a Jesus: “Senhor lembra-te de mim quando entrares no teu reino. E Jesus respondeu, hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (Lc. 23.42-43). Não há uma maneira ou posição em que devamos estar para sermos atendido, a oração pode ser atendida de qualquer posição do nosso corpo, desde tenhamos fé suficiente para alcançarmos vitória. O ladrão estava sendo crucificado com Cristo, Ezequias estava deitado em uma cama, Daniel, sabe-se lá como estava na cova dos leões, se era de pé, com as mãos para cima ou de joelhos, mas o importante é que Deus o protegeu.
b) A oração privada. Você e Deus. Esta oração tem um importantíssimo valor, pois a fazemos com mais liberdade abrindo-lhe o coração. Este modo de orar é freqüente na história bíblica. Em Gn 32.23-28, Jacó fez a todos passar o ribeiro, porém ele ficou só, e com ele lutou um varão até que a alva subia, e o varão lhe disse: deixa me ir porque a alva subiu, e Jacó respondeu: não te deixarei se tu não me abençoares, e ele disse: qual é o teu nome?  E ele disse: Jacó, pois não chamarás mais o teu nome Jacó, mas Israel; pois, como príncipe lutastes com Deus e com os homens; e prevaleceste.
c) A oração pública e social. É aquela que revela os deveres dos homens para com Deus, os quais são: 1º) confissão a Deus.  Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para onde iremos nós? Só Tu tens palavras de vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus (Jo 6.68;69). Neste versículo Pedro revela sua verdadeira confissão ao Senhor Jesus, demonstrado sua pequenez e revelando a grandeza do Senhor. 2º) O amor de Deus. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai e eu o amarei e me manifestarei a ele (Jo 14.21). 3º) Confiança no Senhor.  Confia no Senhor e faz o bem; habitarás na terra e, verdadeiramente serás alimentado. (Sl 37.3). Só podemos confiar em quem se conhecemos e com quem convivemos. É impossível confiar num estranho ou desconhecido. È o convívio com uma pessoa que desenvolve a confiança, pois sem comunhão não há confiança.

3. Como o cristão deve orar.
    O cristão deve orar com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa (Hb 10. 22).  O cristão deve ter a vida voltada para Deus, pois só Ele é capaz de responder as nossas ansiedades. “E lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5.7).
a) Orando a sós com Deus.  Entra no teu aposento, e fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê em secreto te recompensará (Mt 6.6). A recompensa de Deus é fiel para aqueles que separam tempo para falar com Ele. Daniel, três vezes ao dia, se punha de joelhos para falar com Deus, e, quando foi laçado à cova dos leões, houve livramento (Dn 6).
b) Orando apenas com o pensamento. Existem momentos na vida em que os problemas, os percalços da vida, a angústia, tentam nos oprimir de maneira tão forte que a única esperança é derramar o coração na presença do Senhor Jesus. Ana, no seu coração falava e só movia os lábios, porém não se ouvia sua voz. Eli a teve por embriagada. Ana respondeu: “Não senhor meu, sou uma atribulada, nem vinho, nem bebida forte tenho bebido, porém tenho derramado minha alma perante o Senhor”.
c) A oração com clamor. Clama a mim, responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes (Jr 33.3). É uma promessa do Senhor e as suas promessas não falham. Só Ele tem poder para nos abençoar, guardar e proteger do mal. “Mil cairão ao teu lado e dez mil a tua direita, mas tu não serás atingido (Sl 91.7). Daniel quando soube da proclamação do rei Dario não se apavorou, mas, como de costume, entrou em seu aposento e derramou seus temores, preocupações, futuro; sua vida diante de Deus. Vale lembrar que isto ele fez de joelhos. Esta parece ser a melhor posição para se buscar a Deus, pois é uma maneira desconfortável. Nosso problema é que às vezes oramos de forma tão confortáveis que corremos o risco de dormir! Jim Elliot, missionário morto pelos índios na década de 50, disse o seguinte: “Deus ainda está no seu trono, e o homem ainda está no seu estrado; entre os dois há a distância de um joelho”.  Meu irmão vamos buscar ao Senhor enquanto se pode achar; invocá-Lo enquanto está perto (Is 55.7).

 4. Os resultados da oração.
    Sempre que oramos temos resultados satisfatórios, porque a boca do Senhor Deus disse: “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem o seu ouvido, agravado, para não poder ouvir” (Is 59.1). Vejamos alguns exemplos bíblicos de orações que foram respondidas.
a) A ousada intercessão de Abraão. E chegou Abraão dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio? Porventura se houver cinqüenta justos na cidade, destruí-los-ás também? ...E respondeu Abraão, se porventura houver quarenta e cinco? ... E continuou a falar-lhe: e se houver quarenta? ...E se trinta? ...E se houver vinte? ...Não se ire Senhor, falo só mais está vez, e se houver dez? (Gn 18. 23-32).
b) O choro de Ismael. “E consumida toda água do odre, lançou o menino debaixo de uma das árvores, e afastou se a distância de um tiro de arco, porque dizia: Que não veja eu morrer o menino. E assentou-se em frente, e levantou a sua voz, e chorou. E ouviu Deus a voz do menino, e bradou o Anjo de Deus a Agar desde os céus e disse-lhe: Que tens Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do rapaz desde o lugar onde está. Ergue-te, levanta o moço, pega-lhe pela mão, porque dele farei uma grande nação. E abriu-lhe Deus os olhos; e viu um poço de água, e encheu o odre de água, e deu de beber o moço. (Gn 21.15-20).
c) O clamor da mulher cananéia. Jesus estava na região de Tiro e Sidom, quando de repente apareceu uma Cananéia quer clamou dizendo: “Senhor Filho de Davi, tem misericórdia de mim, porque minha filha está miseravelmente endemoninhada. E Jesus não disse nada. E os discípulos disseram: despede-a porque vem gritando atrás de nós. Não fui enviado senão as ovelhas da casa de Israel. E chegou ela e o adorou dizendo: Senhor! Socorre-me! E ele disse: não é bom tirar pão dos filhos e deitá-los aos cachorrinhos. E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. E respondeu Jesus, ó mulher, grande é a tua fé, seja isso feito para contigo, como tu desejas. E na mesma hora sua filha ficou sã” (Mt. 15; 21-28).

Conclusão.
    Esta é a confiança que temos nele: que se pedimos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve (1 Jo 5.14). Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno. (Hb. 4.16).

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