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A ORAÇÃO DE EZEQUIAS

2 Reis 19:14 - 20

Pb. Vânio Limiro
Igreja-Sede

   
    Recebendo, pois, Ezequias as cartas das mãos dos mensageiros e lendo-as, subiu à casa do Senhor; e Ezequias as estendeu perante o Senhor. E orou Ezequias perante o Senhor e disse: Ó Senhor Deus de Israel, que habitas entre os querubins, tu mesmo, só tu és Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra. Inclina, Senhor, o teu ouvido, e ouve; abre, Senhor, os teus olhos, e olha; e ouve as palavras de Senaqueribe, que enviou a este, para afrontar o Deus vivo. Verdade é, Senhor, que os reis da Assíria assolaram as nações e as suas terras. E lançaram os seus Deuses no fogo; por quanto não eram deuses, mas obra das mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram. Agora, pois, ó Senhor nosso Deus, te suplico, livra-nos da sua mão; e assim saberão todos os reinos da terra que só tu és o Senhor Deus. Então Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: Assim diz o Senhor Deus de Israel: O que me pediste acerca Senaqueribe, rei da Assíria, ouvi.

 Introdução
    Por volta do ano 783 AC, todo o Oriente Médio era assolado pelo império assírio. Reinos como o da Síria, Egito e Israel já estavam dominados por eles. O império assírio foi uma das civilizações mais importantes do Oriente Médio, famosos pelo talento guerreiro e pela forma cruel de espetar e queimar vivos os soldados inimigos. Eles também se destacaram pela habilidade na construção de grandes cidades e edifícios monumentais.
    No ano 705 AC, a Assíria era governada pelo Rei Senaqueribe. Temido por seu poderio militar, ele realizou inúmeras guerras e por onde passou venceu povos, destronou reis e colocou governadores simpáticos à Assíria.
    Com Israel destruído restava o Reino de Judá. Com a morte de Acaz, Ezequias, seu filho, assume o trono com apenas vinte e cinco anos de idade e fez segundo o que era reto aos olhos do Senhor (2 Rs 18.3).
    Ezequias reinava há quatorze anos quando Senaqueribe invadiu Judá e agora marchava rumo a Jerusalém. No caminho foi vencendo cidades judias, chegando a dominar quarenta e seis delas, e se estabeleceu na fortaleza de Laquis, a segunda mais importante cidade de Judá. Para que Jerusalém não fosse atacada, Ezequias pagou um preço alto, juntando todos os tesouros que se achou no templo e no palácio real, chegando a arrancar o ouro das portas e das ombreiras do templo para dar ao inimigo. Porém Senaqueribe quebrara a promessa e apavorava o povo ameaçando destruir Jerusalém.
    Ezequias faz então uma comovida súplica ao Senhor, que ouve a sua oração e livra Judá das mãos inimigas, provando assim que ele é o único Deus verdadeiro. Ezequias teve sua petição atendida, não só porque orou, mas também porque andou segundo a vontade de Deus.
    Este acontecimento é a prova fiel de que Deus ouve seus servos quando é buscado e quando estes andam em obediência aos seus mandamentos.

 1. Ezequias e sua retidão perante Deus
    Havia uma razão fundamental para que Ezequias apelasse para os céus: Ele confiava no Senhor, o Deus de Israel. (2 Rs 18.5). Essa relação de confiança o fez ser diferente dos seus antecessores e sucessores. A história diz que depois dele nenhum rei confiou tanto em Deus, nem antes dele também. Deus quer que cada um de nós confiemos n’Ele mais do que qualquer pessoa, ou qualquer outra coisa. Observando os aspectos da relação de Ezequias com Deus, aprendemos as lições para buscarmos a retidão que Deus quer de nós.
a) Precisamos ter coragem para remover os impedimentos. Ao ser coroado Ezequias encontra uma situação espiritual profanada por seu pai, o Rei Acaz, que até trocara o altar de bronze do Templo por um modelo idólatra copiado de Damasco (2 Rs 16.10-12). Ezequias então promoveu uma profunda reforma religiosa, destruindo tudo o que era profano, até a serpente de bronze que Moisés fizera há 700 anos e que tinha se tornado objeto de culto. (2 Rs 18.4). Muitas vezes são necessárias grandes mudanças em nossa vida para fazermos a vontade do Senhor.
b) Precisamos nos apegar ao Senhor (2 Rs 18.6a). Os livros dos Reis e das Crônicas são relatos oficiais da história dos soberanos de Judá e Israel. Estes relatos mostram que quando os reis se chegavam a Deus o povo prosperava sobre o inimigo e era liberto da dominação. A Bíblia é clara a este respeito: “Chegai-vos a Deus e Ele se chegará a vós!” Por mais de uma vez a Bíblia relata Ezequias em situação de grande apego ao Senhor (2 Rs 19:14; 20.2).
c) Não podemos nos apartar do Senhor (2 Rs 18.6b). Outro aspecto vitorioso na vida de Ezequias foi que, alem de apegado ao Senhor, não “se apartou dEle”. Quando Senaqueribe quebrou a promessa de não destruir Jerusalém e começou a afrontar o povo, Ezequias sabia que alguém infinitamente mais poderoso que o rei assírio não o tinha abandonado. (2 Rs 19.19). Jacó disse ao anjo no Peniel: “Não te deixarei...” (Ex 32.26). Em qualquer situação que surgir, haja o que houver, jamais devemos nos apartar do Senhor.

2 Conhecendo as intenções do Inimigo
    Senaqueribe, em sua batalha para dominar o oriente, já havia destruído a Síria, o Egito, Israel e muitos outros reinos e agora invade a Judéia, chegando às portas de Jerusalém. Ezequias, para livrar a cidade da ruína, propõe pagar qualquer preço para evitar a guerra e confia na palavra do inimigo de que retiraria o cerco à Jerusalém em troca de tesouros, porém, logo depois, Senaqueribe quebra a promessa, enviando seus mais altos oficiais para afrontar e ameaçar o povo com a destruição e a guerra (2 Rs 18.15-20). No mundo espiritual isto nos mostra que jamais deveremos confiar no inimigo. O Apóstolo Pedro escreveu que “o diabo, rugindo como um leão; anda ao derredor de nós, procurando ocasião para nos tragar”. As atitudes de Senaqueribe revelam as intenções do nosso inimigo.
a) A intenção do inimigo é roubar nossas riquezas (2 Rs 18.14). Todas as vezes que os servos de Deus fizeram aliança inimiga tiveram suas riquezas, e às vezes, o que é pior, suas próprias vidas roubadas e destruídas. Ezequias teve de dispor de todos os recursos do tesouro nacional, a ponto de arrancar as fechaduras de ouro das portas do templo para dar à Senaqueribe; e na era pouca coisa: treze mil quilos de prata e mil e cento e setenta quilos de ouro. Existe um grande perigo de confiarmos em palavras e situações que aparentemente vão nos livrar das lutas, porém, esta confiança só nos tirará mais ainda do que temos.
b) A intenção do inimigo é nos fazer sentir impotentes. Como se não bastassem os tributos pagos pelos judeus, Senaqueribe resolve encher o povo de Jerusalém de pavor. Envia seus mensageiros para falar em alta voz, na língua que o povo entendia, para que todos ouvissem: “Assim diz o grande rei, o rei da Assíria: Que confiança é essa em que te estribas?” ...Em quem, pois, agora confias, que contra mim te revoltas?... (2 Rs 18:26-29). Eliaquim rogou para que eles falassem em aramaico para que o povo que estava em cima do muro não se apavorasse, mas Rabsaqué clamou em alta voz: “Ouvi a palavra do grande rei, do rei da Assíria. Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar da minha mão.” (18:26-29). A astúcia do inimigo está em nos fazer crer que ele é poderoso e que nós nada podemos fazer diante dele. Era assim que os hebreus viam o deserto; que os soldados de Saul viam Golias. Mas todas as vezes ficou provado que “maior é Aquele que está conosco do que o que está no mundo”.
c) A intenção do inimigo é menosprezar a fé do crente. Como se não bastasse a arrogância de Senaqueribe, ele menosprezou a fé dos judeus: “Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar da minha mão; nem tampouco vos faça Ezequias confiar no Senhor, dizendo que Ele vos livrará e que esta cidade será liberta da mão do rei da Assíria.” (2 Rs 18.29-30). Senaqueribe atacou o povo fisicamente, tomando suas possessões, matando pessoas. Ele também feriu a dignidade do povo, tomando as suas filhas e escravizando-os. Isto significava, sobretudo, menosprezar a fé do povo de Deus. Acontece que o povo de Deus não vive baseado na sua integridade física, não é nosso bem-estar ou nossa saúde que vai nos manter de pé. O povo de Deus não vive baseado nem mesmo em sua dignidade pessoal ou sua reputação. Quantas vezes temos nossa dignidade sendo atacada e acusada? Porém existe algo que para o povo de Deus que é invencível: SUA FÉ NELE! O inimigo jamais poderá, mesmo que tente, menosprezar a fé que “remove montanhas”. Aleluia.

3. Como agir diante das ameaças do inimigo

    Ezequias sabia que se fosse depender do seu exército, das suas forças e capacidade de lutar seria facilmente arrasado pelos assírios, que já haviam dominado quase tudo ao redor de Jerusalém. Judá era um reino incapaz de se defender e dependia de alianças com outros povos para tentar manter sua soberania. Mas a grande diferença estava entre os deuses das outras nações e o Deus de Judá. Ezequias em sua oração diz que as nações vizinhas tinham sucumbido por que os seus deuses eram obras das mãos dos homens, madeira e pedra; mas que Jeová era o único Deus vivo. Este deve ser o principal sentimento do crente diante das ameaças: O nosso Deus é o único vivo e verdadeiro.
a) Calar diante do inimigo (2 Rs 18.36). Enquanto os oficiais de Senaqueribe afrontavam e atacavam a fé do povo, este ficou calado. Apesar de ouvir as afrontas em seu próprio idioma nenhum judeu respondeu de volta. O que o inimigo das nossas almas deseja é nos fazer blasfemar para destruir a nossa fé em Deus, pois destruindo a nossa fé ele nos destruirá. Jô foi atacado de todas as formas, até na sua dignidade, mas o que ele disse foi: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.” (Jó 19:25). Jesus, em sua vitória no calvário, foi “como ovelha muda ao matadouro” e “em momento algum abriu a sua boca”. Quais as palavras que saem da sua boca na hora de adversidade?
b) Humilhar-se diante de Deus (2 Rs 19:1). Quando o rei Ezequias ouviu que a única coisa que lhes tinham restado - a fé em Deus, estava sendo atacada, rasgou as suas vestes, cobriu-se de saco, e entrou na casa do Senhor. Ao se despir dos mantos reais Ezequias demonstrava que ser um monarca não era importante e que nada mais podia fazer a não ser depender de Deus. Diante das ameaças, quando tudo parece perdido, resta-nos humilhar diante da potente mão de Deus e ele nos exaltará. Grandes vitórias do povo de Deus foram conquistadas a partir do momento que os servos lutaram com humildade. Foram as “pedrinhas” de Davi que mataram o gigante Golias. Foram as buzinas, tochas e cântaros dos soldados de Gideão que destruíram os soldados midianitas.
c) Confiar somente em Deus. Ezequias, tendo recebido a carta das mãos dos mensageiros, e tendo-a lido, subiu à casa do Senhor, estendeu a carta perante o Senhor e orou. Ezequias se deu conta que sua confiança no Egito não valia de nada; sabia também que se Deus não interviesse em seu favor não haveria escapatória, só lhe restou confiar totalmente no Senhor e descansar nas promessas mencionadas pelo grande rei Davi, de quem o seu trono descendia: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará (v.4). Descansa no Senhor, e espera nele; não te enfades por causa daquele que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa maus desígnios (v.7). Porque os malfeitores serão exterminados, mas aqueles que esperam no Senhor herdarão a terra (v.9). E o Senhor os ajuda e os livra; ele os livra dos ímpios e os salva, porquanto nele se refugiam (v.40)”.

4. Os resultados da oração de Ezequias
    Se nós parássemos para pensar nos resultados da oração feita com humildade e sinceridade a Deus, certamente teríamos uma vida de oração muito mais dinâmica e constante. Parece que no mesmo momento que ouvia a oração de Ezequias, Deus envia o profeta Isaías dizer ao Rei: “O que me pediste acerca de Senaqueribe ouvi” (2 Rs 19:20). Jeová disse ainda que Senaqueribe não entraria na cidade, nem lançaria nela flecha alguma, nem contra ela levantará trincheira; pelo caminho por onde veio voltaria, porque Ele o Senhor defenderia a cidade para livrá-la, por amor dEle e por amor a Davi.” (2 Reis 19:32-34). Os resultados da oração de Ezequias são grandes lições sobre como confiar no Senhor.
a) O que Deus diz há de se cumprir. Precisamos entender que a intenção do inimigo é minar nossa fé e confiança na palavra de Deus. Nós vivemos em uma era crítica da história do cristianismo, onde a palavra de Deus está sendo posta em dúvida, homens querem estudar a palavra de Deus como se estuda uma múmia ou uma ruína. Não!!! A palavra de Deus é viva, e é para ser crida. Como vai sua fé nas Escrituras Sagradas? Será que os “senaqueribes” já conseguiram destruir a nossa confiança na Palavra? Lembremos que “passará os céus e a terra, mas as palavras do Senhor não hão de passar”.  Coisa maravilhosa para o povo de Deus é a sua confiança no Senhor. Podemos confiar nele e descansar nas Suas promessas.
b) O Senhor pelejará pelos seus. (2 Rs 19.35). Na mesma noite do dia em que Ezequias orou, saiu o anjo do Senhor, e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil deles, quando os sobreviventes levantaram de manhã, havia todos aqueles cadáveres. Apenas um anjo! O grande e poderoso rei assírio voltou correndo para casa, como uma presa assustada e assim se foi a sua glória.  Senaqueribe se retirou de Judá e voltou para Nínive, a capital da Assíria. Lá, quando estava adorando a Nisroque, seu deus, Adrameleque e Sarezer, seus filhos, entraram no templo e o mataram à espada, cumprindo a Palavra de Jeová. Na maioria das vezes não é necessário nem lutar, o Senhor dos Exércitos é quem realmente peleja por nós.
c) Deus se revelará ao inimigo. (2 Rs 19.28). Senaqueribe não conhecia o Deus de Judá, para ele era apenas mais um deus entre os outros dos povos que já havia conquistado. Ele não imaginava que esse era o Deus Único e Verdadeiro, Criador de todas as coisas. Ele não sabia que Deus resiste aos soberbos; porém, dá graça aos humildes (Tiago 4:6). Deus em sua soberania se revelou como fogo destruidor a Senaqueribe porque este, ao afrontar o povo de Deus também afrontou o Altíssimo. Esta é uma lição para não nos preocuparmos com aqueles que nos afrontam, mas sim entregar o problema ao Eterno e ele cuidará dos nossos inimigos.

Conclusão

    Aprendemos nessas passagens que não importa o tamanho do nosso adversário, dos problemas ou das circunstâncias que se levantam contra nós. Também não importa as nossas limitações, quanto somos fracos e o que não temos. O que importa é em quem confiamos. “Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus.” (Sl 20.7). O Senhor pode terminar com nossos adversários e problemas em uma noite. Um só anjo aniquilou com um exército de cento e oitenta e cinco mil homens e nós a promessa de que o anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra (Sl 34.7).
    Aprendemos que o mais importante é guardar a nossa fé no Senhor, mesmo quando nossos adversários e circunstâncias nos dizem o contrário. Aprendemos a nos humilhar diante do Senhor sabendo que sem Ele nada podemos fazer. Existe uma canção que diz: “É meu somente meu todo trabalho, e o teu trabalho é descansar em mim.” Há um convite para você neste momento descansar no Senhor, para você trazer até ele as suas lutas, os seus desafios, as suas circunstâncias que parecem sem solução, e depositar tudo isso aos pés do Senhor, como fez Ezequias, que tomando a carta de ameaças de Senaqueribe, e a estendeu perante o Senhor e Deus o livrou. Deus tem um livramento para você.

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